Trump e a sua guerra contra os jornalistas

Ruth Marcus, 18 de julho de 2026
Link para o Artigo original: [The New Yorker]
5 minutos
A escalada de Trump contra os jornalistas
Há anos, Donald Trump manifesta abertamente o desejo de ver repórteres atrás das grades. Recentemente, essa retórica transformou-se em ação concreta: após o Times publicar uma reportagem sobre problemas com o novo Air Force One — um avião oferecido pelo Qatar que supostamente carecia de capacidade antimíssil — a Casa Branca ordenou uma investigação sobre o vazamento da informação.
Subpenas ao Times
Um alto funcionário do F.B.I. solicitou ao jornal que adiasse a publicação por questões de segurança nacional. O Times recusou-se a cumprir. Dois dias depois, três jornalistas receberam subpenas para comparecer perante um grande júri federal em Manhattan. O Times moveu para anular as subpenas, alegando que foram emitidas "de má-fé para punir o jornal pela sua cobertura".
Criminalização da imprensa
A administração Trump está a utilizar os processos do direito criminal para intimidar e punir a imprensa. Em janeiro, agentes do F.B.I. apreenderam os computadores e telemóveis da repórter do Washington Post Hannah Natanson. A administração tem igualmente emitido subpenas a repórteres do Washington Post e do Wall Street Journal em casos de segurança nacional.
Proteções legais insuficientes
Embora as regulamentações do Departamento de Justiça estabeleçam que os repórteres devem ser subpenados apenas em último recurso e quando a informação for "essencial", estas proteções são ilusórias perante uma administração determinada a ignorá-las. O Tribunal Supremo já afirmou que os jornalistas não estão isentos de dever de comparecer perante um grande júri.
O efeito silenciador
O verdadeiro perigo reside no efeito silenciador: organizes de médias menores podem hesitar em investigar histórias que as coloquem na mira da administração. Esse efeito de intimidação é, segundo o autor, precisamente o que Trump pretende alcançar.