Tekeli-li! Tekeli-li!

Kissinger no meio do redemoinho

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Luís Cláudio Villafañe G. Santos e Rogério de Souza Farias, 02 de Julho de 2026
Link para o Artigo original: [revista piauí]
38 minutos


Resumo

O artigo analisa a visita de Henry Kissinger ao Brasil em 1962, durante a Copa do Mundo no Chile e uma grave crise política. Kissinger, então consultor temporário do presidente John F. Kennedy, elaborou um relatório confidencial de 130 páginas descrevendo o país como politicamente instável e à deriva.

Contexto Político

O Brasil vivia um período turbulento:
- Jânio Quadros havia renunciado em agosto de 1961
- João Goulart assumiu apenas como chefe de Estado, com poderes limitados pelo sistema parlamentarista
- Eleições para governos estaduais e Congresso estavam previstas para outubro
- A Copa do Mundo de 1962 decorria simultaneamente no Chile

Principais Encontros

Kissinger reuniu-se com mais de 80 personalidades do mundo político, militar e intelectual:

  • Samuel Wainer – dono do jornal Última Hora, que descreveu como "elemento algo sinistro"
  • Carlos Lacerda – governador da Guanabara, autodefinido como político de centro
  • Celso Furtado – então diretor da Sudene, considerado "o funcionário brasileiro mais impressionante"
  • Alceu Amoroso Lima – intelectual católico que descreveu o brasileiro como "povo lírico"
  • Darcy Ribeiro – reitor da Universidade de Brasília
  • Gilberto Freyre – sociólogo que coincidiu com Kissinger em criticar Brasília

Diagnóstico de Kissinger

O relatório apresentava conclusões alarmistas:

"Parece-me que, se algum demagogo chegar a controlar a máquina de governo, as possibilidades de uma virada de extrema esquerda aumentam muito."

Kissinger recomendou ao governo americano tratar o Brasil com dureza, distinguindo entre amigos, inimigos e neutros.

Relação com o Futebol

Kissinger testemunhou a paixão brasileira pelo futebol durante a Copa de 1962:
- O Brasil venceu a Espanha (2-1) durante sua estadia em São Paulo
- A Seleção sagrou-se bicampeão mundial ao derrotar a Tchecoslováquia (3-1)
- O americano comparou a política brasileira ao futebol: talento individual brilhante mas indisciplina coletiva

Conclusão

O relatório foi doado por Kissinger à Universidade Yale em 2011 e digitalizado. Nele, o futuro secretário de Estado descreveu um Brasil com personalidades vibrantes mas instituições fracas, comparando a política nacional às "lutas pelo poder dos príncipes italianos da Renascença". Kissinger mostrou-se desiludido com a capacidade de formação de uma alternativa democrática viável no país.

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