Ação judicial zumbi sobre quem é dono do Unix volta a ganhar vida
Simon Sharwood, 6 de Julho de 2026
Link para o Artigo original: [The Register]
3 minutos
A antiga disputa sobre a propriedade do UNIX — e possivelmente do Linux também — voltou aos tribunais. Mais uma vez.
Como o The Register já explicou muitas vezes desde que este assunto chegou aos tribunais pela primeira vez em 2003, as raízes do caso estão na aliança de 1998 entre a IBM e uma empresa chamada Santa Cruz Operation, que vendia uma versão do UNIX para processadores x86. Essas duas empresas, juntamente com a Intel e a Sequent, criaram o "Project Monterey" — um esforço para criar uma versão unificada do UNIX que pudesse correr em múltiplos processadores.
Em 2001, o Project Monterey estava quase a entregar um UNIX unificado, uma conquista que só foi possível graços à mistura de código da IBM e da SCO.
Então, um pequeno projeto chamado "Linux" já corria em múltiplos processadores. A Big Blue decidiu que o Linux era o futuro e abandonou o Project Monterey — alegando depois que contribuiu com parte do código do Monterey para o projeto de código aberto e para os seus próprios sistemas operativos AIX e Z. A SCO considerou que era dona de parte desse código, então processou a IBM.
A SCO e os seus sucessores lutaram para sobreviver, mas as partes interessadas mantiveram a ação judicial viva, porque a possibilidade de se tornarem proprietárias de partes do código-base do Linux e do código da IBM tinha o potencial de se transformar num enorme lucro.
O caso e os seus sucessores terminaram em 2021, com uma acordo que viu as partes em litígio concordarem em encerrar o assunto sem que a IBM admitisse qualquer responsabilidade.
Mas nessa altura, a SCO já tinha vendido o seu software a uma empresa chamada Xinuos, que decidiu continuar a lutar.
O caso da Xinuos tem-se arrastado em silêncio desde então, e a 22 de Junho atingiu o marco de uma audiência.
O assunto tornou-se um pouco mais moderno, se apenas porque esta audiência foi realizada online e o juiz presidente pareceu estar sem saber em silêncio (mute) num dado momento. Mas os argumentos, por outro lado, pareceram revisitar o Project Monterey, debater a relevância de litígios anteriores, contestar quem era dono de quê, quando era dono e como o podiam provar. A Xinuos argumentou que a IBM nunca teve uma licença para o código da SCO. A Big Blue argumentou que não fez nada de errado.
A questão central parece ser se a Xinuos sequer tem o direito de litigar sobre o assunto, ou se algum jurisdicismo antigo nos acordos originais significa que a janela para argumentação legal há muito que expirou.
O assunto continua e parece provável que continue até à morte térmica do universo ou ao ano do Linux no desktop — whichever comes sooner. ®